O inusitado só as lendas explicam.



Conta antiga lenda indígena que o amor criou os encantos de Maraú: uma linda restinga que avança mar a dentro, enfeitada de coqueirais, ilhotas quebrando a monotonia do horizonte marítimo, Mata Atlântica cheia de cachoeiras refrescantes; a alternância de extensos areais e pequenas praias hoje meio desertas. A bem da verdade, o que criou Maraú não foi propriamente o amor, mas a disputa mágica entre os pretendentes aos favores de Saquaíra, a mais bela moça da tribo Airahu. Um deles nem era homem, era um semideus, Orojó, Senhor do Vento, que fascinou Saquaíra e levou-a. Acarahy, irmão de Saquaíra, seria recompensado ganhando uma semana de poderes mágicos para criar Camamu – muita comida- e belezas sem par nas terras de sua tribo. Bastava que dormisse aquela noite em sua tenda, que estaria encantada por Orojó. Entra em cena, então, o outro protagonista do triângulo amoroso. Justamente Marahu, jovem da tribo que amava Saquaíra. Ele ouviu a promessa de Orojó, meteu-se sorrateiramente na tenda de Acarahi e, de manhã, dotado também de poderes mágicos, saiu atrás do Senhor do Vento e de Saquaíra. Lado a lado com o barco de Orojó, Marahu ia criando lindas praias e gritando para a moça: tai-pus (vem comigo). Furioso, Orojó criou quatro cachoeiras em frente à canoa do mortal. Marahu voou por cima delas, com a ajuda de uma gaivota, que o Senhor do Vento abateu a flechadas e, ao cair no mar, transformou na linda Ilha da Gaivota. Orojó criou arrecifes para barrar Marahu. Este abriu um buraco no arrecifes para passar com sua canoa, criando a Ilha da Pedra Furada (que está até hoje, para provar aos descrentes que lenda é lenda, não é mentira). O Senhor do Vento criou então uma cachoeira com Tremembé( esconderijo) e ocultou seu barco e Saquaíra sob a cortina de água. Marahu passou direto. Vendo que não podia continuar mar a dentro com uma pequena canoa, foi criando praias à medida que avançava. Nasceram assim os 40 quilômetros da Península de Maraú e suas belíssimas praias de Saquaíra, Cassange, Concha e Sereia, a mais linda. No sétimo dia, com o pôr do sol marcando o fim do seu poder e esperança, Marahu tocou sua flauta e deu fim a obra criando a ponta do Mutá, onde o vento desde então assobia canções de amor. E transformou-se ele mesmo em amor. Acarahy, o cunhado de Orojó, aproveitou sua semana de poderes mágicos para criar mangues e canais cheios de caranguejos, siris, camarões, peixes. Fez seu povo feliz, mas sentiu saudade da irmã Saquaíra, chorou muito e virou o rio Acarahy, com uma cachoeira de rara beleza que encanta que visita a cidade de Camamu, a mais próxima de Península de Maraú”. Maraú é isto aí. Lendas explicam o inusitado.

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